Selic alta barra o financiamento
O projeto do estádio próprio do Flamengo no Gasômetro ganhou forma, mas também encontrou um obstáculo financeiro considerável: com a taxa Selic fixada em 15% ao ano, recorrer a crédito externo tornaria o empreendimento insustentável. A solução encontrada pelos dirigentes foi outra — construir o caixa necessário com recursos próprios, através de um plano de poupança disciplinado que se estenderá por mais de uma década.
Um cronograma em três fases
O esquema de acumulação foi dividido em três etapas progressivas. Na primeira, entre janeiro de 2026 e agosto de 2028, o clube pretende reservar mensalmente entre R$ 4 e R$ 5,8 milhões, acumulando R$ 184 milhões. A segunda fase, de setembro de 2028 a abril de 2033, prevê depósitos mensais de R$ 11,6 milhões, somando R$ 652 milhões. Por fim, de maio de 2033 a junho de 2036, os aportes sobem para R$ 12,5 milhões mensais, adicionando mais R$ 475 milhões. Incorporando rendimentos projetados de R$ 209 milhões, o total chegaria a R$ 1,52 bilhão.
Receitas complementares
O plano ainda conta com fontes externas para completar o orçamento estimado em R$ 2,2 bilhões — valor sujeito a reajuste pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). A comercialização de camarotes deve gerar R$ 214 milhões; cadeiras premium, R$ 128 milhões; naming rights (direito de nomear o estádio), R$ 177 milhões por ano; e a cessão de potencial construtivo via CEPACs, R$ 195 milhões. O novo estádio, com capacidade para 72 mil torcedores, tem início de obras previsto para 2034 e entrega projetada para 2036.

