Dois dias. Foi o tempo que Pedro precisou para transformar a decepção de ficar de fora da Copa do Mundo em argumento dentro das quatro linhas. Na noite desta quarta-feira (20), o camisa 9 do Flamengo decidiu a partida contra o Estudiantes com um gol que garantiu a classificação rubro-negra na Copa Libertadores — e reacendeu, de imediato, a polêmica em torno de sua ausência na convocação da Seleção Brasileira.

O lance do gol condensou tudo o que define o perfil do atacante: leitura de jogo apurada e aproveitamento implacável de qualquer brecha. Aproveitando uma falha do goleiro adversário, Pedro não desperdiçou a chance. Minutos depois, ainda tentou um voleio acrobático após passe magistral de Paquetá — a finalização saiu pela linha de fundo, mas o requinte técnico não passou em branco. A torcida presente no Maracanã, que havia vaiado a equipe no intervalo após um primeiro tempo apagado, virou a chave e ecoou o nome do centroavante.

O próprio jogador abordou o tema com maturidade ao final da partida. "Tudo o que acontece na minha vida, eu tento tirar o lado bom. É claro que eu estava na expectativa, mas quem foi convocado também mereceu. Eu, infelizmente, tive uma lesão quando eu ia ser chamado, e isso dificultou eu não poder ir à Seleção", declarou. Leonardo Jardim, técnico do clube, comparou o repertório técnico de Pedro ao do ex-atacante Dimitar Berbatov e classificou como "uma pena" a decisão de Ancelotti.

Os números do atacante na temporada 2026 dão substância ao debate. Ao todo, são 18 gols em 30 jogos disputados, liderando as participações decisivas do Flamengo no Brasileirão. No âmbito continental, Pedro é o único jogador capaz de marcar em sete edições consecutivas da Libertadores — uma marca que poucos no futebol sul-americano conseguiram alcançar. O próximo capítulo dessa história se escreve no sábado, quando o Flamengo recebe o Palmeiras no Maracanã.